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16 de out de 2012

Ouça, ainda que não possa ver

         (Lucas 24:13-35)
Depois da ressurreição, Jesus apareceu aos discípulos em forma visível somente em algumas poucas ocasiões durante um período de quarenta dias. Sua principal tarefa, como professor deles durante aqueles dias, foi acostumá-los a ouvi-lo sem que pudessem vê-lo. Assim, foi ‘‘por meio do espírito Santo’’ que deu instruções aos apóstolos durante esse período (At.1:2). Ele se faz visível aos discípulos apenas o suficiente para lhes dar a confiança de que era ele quem lhes falava ao coração. Isso os preparou para continuarem a conversar com ele depois que ele não mais lhes aparecesse visivelmente. Uma cena instrutiva retirada daqueles dias muito importantes de ensino é preservada no último capítulo de Lucas. Dois dos alunos entristecidos de Jesus estavam caminhando para Emaús, uma vila a pouco mais de dez quilômetros a noroeste de Jerusalém. Cristo foi até eles numa forma visível que eles não reconheceram, e ouviu a triste história que contaram sobre o que havia acontecido a Jesus de Nazaré e como, aparentemente, toda esperança havia se perdido. Ele respondeu conduzindo-os pelas Escrituras e mostrando-lhes que aquilo que havia acontecido a seu Jesus era exatamente o que deveria acontecer ao Messias por quem Israel esperava. Então, enquanto estavam sentados para fazer uma refeição juntos, repentinamente ‘‘os olhos deles foram abertos e o reconheceram, e ele desapareceu da vista deles’’ (Lc. 24:31). Mas o reconhecimento foi muito mais do que um simples gesto visual, e esse foi o fato importante. ‘‘Perguntaram-se um ao outro: Não estava queimando o nosso coração, enquanto ele nos falava no caminho e nos expunha as Escrituras?’’ (Lc. 24:32). Ele fala conosco em nosso coração, que queima diante do impacto característico de sua palavra.
      Sua presença conosco é, naturalmente, muito maior do que as palavras que ele nos diz. Mas ela é transformada em companhia apenas pelas comunicações reais que existem entre nós e ele. Essa companhia com Jesus é a forma que a espiritualidade cristã assume conforme praticada há séculos. As pessoas espirituais não são aquelas que se envolvem em certas práticas espirituais; são aquelas que obtêm vida por meio de um relacionamento conversacional com Deus. Elas não vivem na esfera humana do mundo visível; têm ‘‘uma vida além’’.
Hoje, vivemos na estrada de Emaús, por assim dizer, com um coração que queima de maneira intermitente. A palavra de Jesus se derrama em nosso coração, dando energia e direcionamento a nossa vida de uma maneira que não pode ser descrita em termos naturais. Aquilo que vejo a meu redor se torna, por sua vez, o dom de Deus para mim; sou privilegiado por ver as práticas do céu sendo realizadas por meio de minha amizade com Cristo.

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